Tem por objetivo apresentar conteúdos variados no âmbito das áreas da: Filosofia, Teologia, Política, Religião, Educação e dentre outras possíveis. Por isso temos como domínio 'Razão Universal'.

Início

  • Fazer a Minha ou a Tua Vontade?

    Inspiradoras as palavras do mestre de Nazaré: “o meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou” (Jo 4,34). Somos sempre impelidos por uma força motriz que provém do nosso íntimo, do mais profundo do nosso ser, onde Deus tem sua morada…

    Somos buscadores de nós mesmos e da satisfação de nossa própria existência. Todavia, como peregrinos, precisamos deixar-nos moldar pelas experiências de um verdadeiro discípulo do Cristo: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6, 68).

    Para além da procura meramente humana, está a busca pelo sentido da vida, a saciedade dos nossos desejos e anseios mais profundos… Se procuramos cegamente, sem direção, algo ou alguém, logo nos deixaremos envolver por qualquer situação da vida. Entretanto, se nos movemos pelo Espírito Santo de Deus, saberemos exatamente o que, onde e como encontrar.

    Estão a procura de Jesus, nos relata são João em seu evangelho (Jo 6, 22-29). Mas os buscadores se apresentam com intenções adversas. Suas intenções não são exatamente sobrenaturais, mas simplesmente  humanas. Estão a procurar um “fazedor de milagres” _ podemos imaginar. Não buscam um Jesus salvador, libertador, que redime e transforma… Estão iludidos pelos instintos primitivos e não se deixam libertar para com uma realidade e uma experiência maior, que é a experiência de eternidade.

    Santo Afonso de Ligório nos faz refletir que Deus nos prepara e nos garante uma felicidade sem fim, não para este mundo, mas para o Céu. “O céu é nossa pátria, lá Deus nos preparou o repouso em uma eterna felicidade” (2022, p. 57).

    Com isso, nada pode ser mais deleitável que saber que todas as nossas vontades mais íntimas/profundas só podem ser satisfeitas na vida em Deus. Bento XVI na sua obra, “minha herança espiritual”, destaca que o ser humano tem sede de Deus, do infinito,  de eternidade. Por isso que somos provocados a questões fundamentais, diante das nossas buscas e vivências da fé no tempo atual. Tempo esse que favorece novas formas de paganismo…

    Ao mesmo modo, é preciso nos indagar: onde está Deus, para que o possamos encontrar? Já nos encontramos e nos deixamos encontrar com o Senhor ressuscitado? O que nos faz buscar Cristo? Estamos na direção certa? O que precisamos abdicar para uma vida plena em Deus?…

    As respostas só podem ser oferecidas por cada um que procura no Deus da vida a sua realização…

    Saborear o alimento da vida eterna é a garantia de uma vida boa, porém não sem sofrimentos e desafios. Com isso, são Gregório Magno (L.H., Laudes do Domingo do Bom Pastor) nos orienta dizendo que “o alimento dos eleitos é o rosto de Deus, sempre presente. Ao contemplá-lo sem cessar, a alma sacia-se eternamente com o alimento da vida”. Somente em Deus teremos o que procuramos, o repouso e o descanso de nossa alma. Para tanto, fazer, não a nossa, mas a vontade Dele, é o que nos torna dignos de sua majestade infinita.

  • “Felicidade Conjugal”

    “Felicidade Conjugal”

    O tema é título de uma obra de Lev Tolstói, grande literato nascido em 1828 na Rússia, falecido em 1910, quando de uma crise existencial, deixava a família e tentara refugiar-se num mosteiro aos 82 anos…

    O que mais desperta a curiosidade é já o título de sua obra, “felicidade conjugal”, pois o termo felicidade já aguça o desejo de toda pessoa que tende a qualquer experiência que favoreça o ápice de uma fida feliz. Ainda mais quando se trata de uma vida a dois, em que um precisa fazer o outro feliz. Por isso que se compreende casamento como fazer os outros e não a si mesmo realizado.

    A vida a dois sempre implica uma renuncia em vista do bem do outro, e quando isso não é mais vivido, logo vem o fracasso e as decepções. Não está em questão quem pode mais, mas quem abre mão da própria felicidade para fazer o outro feliz, pois este está sempre, e precisa estar, em primeiro plano.

    Os encantos, afetos e atrações dos primeiros momentos são bons. Todavia requer pensar a longo prazo, pois a vida conjugal é experiência perpetua e se estende na história, por ser uma realidade divina, não só humana (CIgC, par. 1603). O amor conjugal, assim, está para além das aparências e das meras satisfações humanas. Por isso implica, a seu modo, um despertar vocacional. Só pode ser feliz na vida conjugal quem é vocacionado ao amor matrimonial.

    Mesmo que o tempo destrua a beleza estética-física, num verdadeiro amor ainda permanecerá a beleza interior e a atração afetiva pelo outro. Desse modo, demonstra a permanência com o que é essencial e superior a tudo que é passageiro. Desse modo, a experiência do encanto e do deixar-se encantar pelo parceiro de viagem leva a seguinte conclusão: “[…] além do seu amor por mim, ele também se extasiava comigo” (p. 78). De fato, Matrimônio é uma “união de toda a vida” (cf. CIC, c. 1055). O eu por inteiro e todo entregue e recebido numa relação!

    A felicidade conjugal não está na ausência de sofrimentos e sacrifícios, mas no assumir conscientemente as consequências dessa escolha, de uma condição de vida fundamental. Tendo em vista as diferenças e qualidade de cada um que favorecerão a vida a dois. Sendo que na diferença se fortalece a unidade! – não com tentativas de sobreposições entre um e outro, porém contribuindo e somando com aquele que precisa crescer integralmente na sua espiritualidade e humanidade. Sendo, assim, uma só carne, tendo uma só aspiração, que é o bem de todos, sua santificação e salvação!

    autor: V.,rP.

  • “EDUCAÇÃO E ESPIRITUALIDADE”

    “EDUCAÇÃO E ESPIRITUALIDADE”

    Por fim, destacamos que a espiritualidade e a educação possuem um poder transformador das consciências para uma vida madura, de maioridade na fé, na vida e nas relações sociais (Kant). Para que a amizade social (Fratelli Tutti), assumida num espírito de fraternidade educada na base de um humanismo integral, fortaleça a dignidade humana e o amor pelo próximo, no desenvolvimento das estruturas sociais…

    (Pereira, VR)

  • “Carta a um Jovem Padre”

    “Carta a um Jovem Padre”
  • A BREVIDADE DA VIDA!

    A BREVIDADE DA VIDA!
  • METAMORFOSE

    METAMORFOSE
  • Ano novo ou Vida nova?

    Ano novo ou Vida nova?

    (Autor: Pereira, VR)

    Imagem: fonte: Internet – (fogos de artificio na virada do ano no Reino Unido)

  • Onde está o Menino?

    Onde está o Menino?

    O natal está acontecendo, porém onde está Aquele que é sua essência? Onde o podemos encontrar? De Belém, na Judéia (cf. Lc 2, 1-7), para o mundo inteiro, Jesus Cristo é a Verdade revelada, a mais próxima e eficaz para com toda a existência humana. A alegria de Israel, enquanto expectativa, tornou-se realidade por meio de Maria Virgem.

    O Evento Jesus Cristo, desse modo, não pode ser encarado como uma ideia (Guardini), como uma fábula ou como uma metáfora. Pelo contrário! Precisa ser experimentada como realidade salvífica e vivificante. A divina Palavra, o Verbo encarnado, não é idealismo sobrenatural, mas concreta expressão do amor de Deus pelas suas criaturas (cf. Jo 1, 14) . O Deus que pela Palavra, no princípio, criou tudo a partir de fora, agora recria todas as coisas a partir de dentro. A partir de dentro de nós mesmos e da história humana. Ao mesmo tempo, saindo e permanecendo no interior da Trindade, Cristo Jesus entra na história humana para torná-la santificada pela sua presença santificante.

    O Menino Deus, nascido da casa de Davi, é sinal de contradição desde seu nascimento. Sendo Rei, Senhor, Deus, Eterno, Soberano, se fez simples, humilde, pequeno, singelo para que cada pessoa pudesse se aproximar de si. Se fez pequeno para que as pequenas criaturas se aproximassem sem medo.

    Todavia, esse é o natal do nosso tempo: de medos! Medo da morte, medo da vida, medo de existir, medo do outro, medo de ser cristão, medo da guerra, medo da paz, medo do rico, medo do pobre, medo da autoridade, medo do poder, medo da inteligência, medo das doenças e das catástrofes, medo até de si mesmo. Aquele Anjo que disse a Maria e aos Pastores do campo: “não tenhas medo”, revela o medo aterrador que o ser humano carrega dentro de si.

    Questionar-se sobre o Menino, seu paradeiro, é deparar-se com tantas crianças perdidas, abortadas, abandonadas, mortas, excluídas da nossa sociedade contemporânea. Belém está em guerra, assim como toda a humanidade que nela está representada. Ela está estendida sobre todo o solo do gênero humano.

    Ademais, um fio de esperança ainda resiste a tantos devaneios do nosso tempo, porque “a graça salvadora de Deus manifestou-se a toda a humanidade” (Tt 2, 11), de modo que céus e terra passarão, mas tua Palavra jamais passará sem causar os seus efeitos (Mt 24, 35).

    Vivamos o tempo do natal como o tempo da firme esperança que jamais decepciona! E superemos, desse modo, nossas indiferenças e medos. Deixando a Luz sem ocaso transformar nossas vidas e relações. Como diz a canção: “É natal de Jesus, festa de alegria, esperança e luz”! Que isso se concretize em nosso cotidiano!

    Feliz Natal!

    autor: Pereira, V.R.

    Imagem: “Natividade de Jesus” de Georges de La Tour (1644).

  • Advento: Tempo da Esperança

    Advento: Tempo da Esperança
  • Imaculada Conceição de Maria

    “Uma árvore boa não pode produzir maus frutos” (cf Mt 7,18-21)
    Diferente da antiga árvore que nos trouxe a perdição, o afastamento de Deus. A nova árvore, Maria, nos concedeu a Redenção. Por meio de Maria nos veio o fruto da vida, da salvação.
    Por isso Santo Anselmo vai dizer que “Deus gerou aquele por quem tudo foi feito, e Maria deu à luz aquele por quem tudo foi salvo” (sec. XII).
    Maria é a Mãe de todos os viventes (sobreviventes), porque é a nova Eva. Que em seu seio Virginal, Deus assumiu a forma Humana para nos reconduzir ao Paraíso.
    Ela é a “Ave Gracia Plena”, ou seja, a toda de Deus, transbordante de graça e resplandecente de beleza.
    As virtudes de Maria, ao mesmo tempo, é colocar-se num gesto de Humildade e de Serva. Veio para servir ao seu Deus Criador e Redentor, que na humildade sabe que nada por si pode fazer, mas somente pela ação do próprio Deus.
    Adão e Eva se esconderam de Deus por medo, como sinal de vergonha, distanciamento do coração. Enquanto que Maria é confortada pela presença milagrosa do Anjo em sua Vida. Em Maria, o medo é transformado em Alegria: ” alegra-te, oh cheia de graça, o Senhor é contigo”! – Irmãos, Deus está conosco! Ao mesmo tempo permaneçamos com Ele… Deixemos que Ele resida em nossas moradas, famílias e corações! Deixemos Maria levar o pequeno Jesus de Nazaré até nós.
    Acolhamos, ao mesmo tempo, a Virgem Maria, como Aquela que é modelo de uma Igreja pura, sem mancha, sem pecado, sem ruga. Imaculada Conceição é e significa uma vida puríssima para que Deus habite – concebida sem pecado original!
    Que o Espírito Santo purifique nossos corações, nossas mentes, afetos e sentimentos para acolhermos Àquele que vem ao nosso encontro.

    Imaculada Conceição de Maria, Rogai por nós!

    (Homilia na Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria – 09/12/2023)