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LIVRES PARA SER

O que caracteriza o ser humano é essencialmente a liberdade. Somos livres para ser! E somos livres para existir! Em tudo somos liberdade. Em nada é possível de não ser livre. No próprio Hino Nacional cantamos que somos uma pátria livre e que vislumbramos o esplendor da liberdade – “E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, Brilhou no céu da pátria nesse instante”, e ainda mais: “Se o penhor dessa igualdade conseguimos conquistar com braço forte, Em teu seio, ó Liberdade, desafia o nosso peito a própria morte!”. Não apenas poetizamos a liberdade, como também cantamos e damos cor e brilho, quando nos encontramos em situações deploráveis da existência. Em momentos de solidão, companhia, em tempos de guerras e de paz, todos os seres humanos são livres. A liberdade é até mesmo usufruída numa prisão ou num campo de concentração. Basta a consciência do seu valor e de sua potencialidade. Falar de liberdade é ater-se a uma realidade singular do humano e do seu interior. Antes de uma liberdade externa (ação moral), lidamos com uma liberdade interna. Sem ela não pode existir ação prática coesa com a vida humana. Uma pessoa livre para amar, agir, pensar, falar, conhecer, rejeitar, acolher, viver, trabalhar, viver a solitude, requer uma harmonia interior. Estamos nos referindo ao espaço íntimo do humano, onde apenas ele mesmo se conhece e pode se transformar. Assim, “A liberdade é uma experiência pessoal e íntima do homem. […] Não é uma mera propriedade de seus atos, mas um elemento constitutivo de seu ser. Significa ao mesmo tempo, um ‘estar comigo’ radical e uma grande abertura à realidade” (Burggraf, 2024, p. 31). A morada de si mesmo, onde tem liberdade, é seu interior, o mais profundo de si. Poderão aprisionar e lhe escravizar de todas as formas, porém a certeza de que possui e é liberdade ninguém pode lhe retirar. O sujeito livre é aquele que está consigo mesmo em todos os momentos da vida, sem contradizer sua abertura ao outro. Em suma, “liberdade significa que eu conduzo a mim mesmo e também que eu ‘faço’ a mim mesmo”, apesar das influencias externa que podemos ter (Burggraf, 2024, p. 49). Religiosamente, livre é a pessoa que possui o Espírito Santo, que fala no íntimo do seu ser. Dentro de si, desse modo, existe e reside um Espírito de liberdade e que move toda pessoa a agir livremente (cf. 2 Cor 3, 17). Nessa compreensão, o pecado e a ‘lei’ podem escravizar, enquanto que Cristo veio para libertar de todo o julgo da escravidão do pecado e da morte (cf. Rm 8, 1-4; Gl 5, 1). Com isso percebemos que não existe apenas uma compreensão externa, está-se a falar, num primeiro momento, de condições internas, e que depois terá seus respaldos na vida cotidiana. Basta sabermos e vivermos: Somos livres! – e isso nos diferencia de qualquer outro ser. A liberdade é o que nos faz distintos uns dos outros. É o que não nos deixa confundir com a “massa” ou com a multidão. Somos diferentes, porque somos livres. (Autor: Pereira,VR).
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“Esperança Última”

Advento: tempo da esperança e da preparação para Àquele que vem vindo, Cristo Jesus.
A espera ativa do Senhor se dá pela preparação constante, pela oração e pela vigília, de um Deus que, além de encarnado em nossa história (natal), virá para plenificar nossa Esperança de um novo céu e de uma nova terra, e recompensará a cada um conforme as suas obras (Ap 22,12) em sua Parusia (juízo final).
Até a vinda última do Senhor, nos cabe viver a ‘vinda constante de Cristo’ em nosso cotidiano pela prática da caridade, do testemunho evangélico e na proximidade intensa com Ele na Palavra e na Eucaristia.
O Mistério da Encarnação nos fortalece na fé, na esperança e no amor a Cristo e ao próximo. Sabendo que o centro de tudo é Ele mesmo, Sabedoria eterna enviada por Deus Pai na ação plena do Espírito Santo.
Desse modo, assim como Maria participou desse mistério irrevogável de Amor, nós também, enquanto Igreja e “Corpo de Cristo”, somos levados a mesma participação…
Que o tempo do advento seja momento singular e frutuoso na vida de toda pessoa. Seja tempo de graça e renovação na vida pessoal, familiar e comunitária!
Desperta tu que dormes, pois o Salvador já está perto!!!!
(Pereira, VR) -
Solidariedade sem Fronteiras

Uma pergunta provoca o intelecto humano e a postura social que temos diante dos acontecimentos: “quem é o meu próximo?” (Lc 10, 36-37).
A partir de uma leitura crítica do relato bíblico, o próximo não é apenas o amigo, o conhecido, o de mesma nacionalidade, raça ou gênero. O próximo é toda pessoa necessitada da nossa atenção singular em suas condições adversas – em todos os âmbitos da vida!
Ser humanamente próximo é aplicar a si mesmo a condição do outro. A proximidade não é geográfica, mas de humanidade e de sensibilidade humana em vista dos desafios enfrentados na vivência da própria dignidade pessoal e relacional. Estamos falando de um próximo de natureza universal, não só em categoria conceitual, como também de aplicação e vivência. Nesse sentido, ” a categoria do próximo é universal, não particular, isto porque o próximo indica o homem, [o ser humano total e todos eles]” (Cantalamessa, 2022, p. 678).
A solidariedade não possui fronteiras. Se existe, requer ser superada! As barreiras precisam ser quebradas para que todos possam ser dignos de Compaixão, de altruísmo e misericórdia…
O próximo pode ser o outro, igual ou diferente de nós, e pode ser nós mesmos, diante das nossas limitações! Não existe sujeitos autossuficientes, não se pode viver por si mesmo, porque somos pessoas naturalmente de relação. Em algum momento da vida seremos provocados a estender a mão e de sermos socorridos por alguém, até mesmo por um estrangeiro. Com isso, urge afastar-se da prática do mal e voltar-se sempre para o bem (Ez 18, 27).
Fazei o bem e sempre terá o bem a seu favor! Nesse caso, o princípio moral fundamental da vida é a universalidade do bem. Ser bom em qualquer condição e circunstância.
Pereira, VR.
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O que esperar?

“Haverá choro e ranger de dentes” (Lc 13, 28) – é a expressão usada por Jesus ao dizer da condenação eterna daqueles que praticaram a injustiça e não se esforçaram por passar pela porta estreita (cf.Lc 13, 22-30).
A busca pela porta larga, mais fácil e cômoda, faz com que muitos ganhem a vida presente, porém se distanciem da experiência da eternidade proporcionada pela passagem estreita e mais exigente, que é a proposta de Jesus e o caminho seguro de salvação.
Quem pode ser salvo? Todas as pessoas podem ser salvas, desde que estejam dispostas a assumir as exigências do caminho/porta estreita.
O Evangelho não lida com exclusivismos, mas com inclusão. Todos os seres humanos estão inseridos na dinâmica da Redenção. Todavia, cada pessoa precisa fazer suas escolhas e seu caminho nesse processo salvífico…
O desespero será vivido por aqueles que não agiram e não optaram pela proposta do evangelho, implícita ou explicitamente. Isso especialmente por verem os grandes homens e mulheres junto à Deus na eternidade, enquanto a “porta eterna” estará se fechando diante de si. Aqui se dará a ausência da esperança e o começo de um grande desespero!
Desse modo, podemos ilustrar tal situação a partir do poema de Dante Alighieri, quando de sua entrada no Inferno (canto III, verso 1-9):
“Vai-se por mim à cidade docente,
Vai-se por mim à sempiterna dor,
Vai-se por mim entre a perdida gente.
Moveu justiça o meu alto feitor,
Fez-me a divina potestade, mais o supremo saber e o primo amor.
Antes de mim não foi criado mais nada senão o inferno, e eterna eu duro.
Deixai toda esperança, ó vós que entrais”
A partir desse trecho de Dante (2014, p. 37), observamos que não haverá esperança de redenção ou salvação para aqueles que descem a tão atormentada condição. É uma inscrição que marca definitiva e profundamente a existência final dos condenados, além da própria natureza do inferno. E por isso fala-se de desespero e desesperança: “choro e ranger de dentes”!
Certamente o inferno é ausência total e eterna de Deus. E de um Deus que é esperança e o fundamento de toda esperança numa vida melhor e feliz…
Afinal, o que esperar? – com o profeta Miqueias, esperamos em Deus, o nosso Salvador (Mq 7,7-8). Pois com esperança, esperamos n’Ele…
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DIA COMUM

Dia comum
Mãe e filha andarilhas,
À procura do esperado;
Desejo de conquista,
O dia comum como qualquer outro;
O movimento da vida sou eu mesmo,
Ondulações do cotidiano,
Emoções do descampado.
A vida comum é fazer o estabelecido,
A vida comum é ser sendo,
A vida comum é carregar o peso da bagagem própria de cada dia.
A vida comum é acolher a si e o outro.
É aceitar a companhia de quem se ama e se quer bem!
O cotidiano é comum para quem já se acostumou a viver!Pereira, VR.
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SENTIMENTO POÉTICO

QUERERES
Pouca coisa!
Não quero muito
Quero o essencial
Quero eu mesmo
Quero minha intimidade
Quero minha liberdade
Quero minha consciência
Quero minha pele e meu desejo
Quero ser eu, com ou sem você
Quero sentir e perceber
Sou o que sou
Sou o que pretendo ser
Um ser singular no emaranhado da vida!
Quero vida, existir e inexistir
Apenas Quero ser!—– —–
DEVANEIOS
O dia passando
Você vivendo
Eu te desejando
A vida transcorrendo
O tempo diminuindo
A distância aumentando
O calor se esvaindo
Um retorno é necessário
Onde o amor é o vínculo
Os afetos o entrelaço
Onde passo e te encontro?
Te espero sem sossego
Num teu amasso ter o meu regaço! -
“Abusadores Espirituais?”

Vivemos numa sociedade marcada pela expressão religiosa, do Sagrado e das diversas manifestações das religiosidades populares, míticas e místicas. O pensador Mircea Eliade já concebia o ser humano como sujeito essencialmente religioso. Ele está sempre em busca de transcendência e da transcendência. Ele não se contenta com apenas ser criatural ou material, busca constantemente a via espiritual e sobrenatural da existência. E tudo isso se apresenta no seu modo de agir e de se relacionar com o mudo e com as pessoas.
Um dos riscos, nesse emaranhado religioso, é a ilusão ou a alienação da fé e da razão. Isso pelo fato de não manter-se firme, numa consciência clara e distinta, diante das atrocidades verbais e morais que muitas pessoas podem se deparar. A busca incansável ou insaciável, sem prévia reflexão crítica, pode levar a uma situação degradante. Fazendo com que viva uma religião da alienação ou tornando-se robotizado mediante instruções de determinados sistemas e modos operandi de indivíduos aproveitadores. Aqui também pode está a conjugação entre o abusador espiritual e sua possível vítima. O abusador dominador será tanto mais eloquente em suas investidas, tanto mais a vítima se deixar seduzir por ele. Segundo Gabriel Perissé, o abusador de cima é alimentado pelo fanatismo da vítima (debaixo), pois a doentia situação desta favorece a doentia situação daquele. Com isso, somos levados a examinar “nosso próprio papel na sustentação de um ciclo de violência”(Burgis, 2025, p. 178)!
Em tempos de necessidades e de muitas ofertas, exige-se maior criatividade e clareza do que, de fato, vale a pena aderir e se propor a seguir. O crivo racional, que não é mero racionalismo, ajuda a atentar-se para o essencial da fé e da busca pelo eterno.
Uma coisa é certa, “todos nós estamos sujeitos a agir como manipuladores ou a ser manipulados” (Perissé, 2024, p. 195). E a busca pelo equilíbrio é fundamental! Conhecendo as próprias limitações e deficiências emocionais e afetivas, e procurando cuidar-se na área da medicina dos afetos, da fé e da razão.
“Sapere Aude” – ousar a aprender sobre si e sobre os mecanismos e sistemas que nos envolvem, é uma maneira positiva para atentar-se ao nível geográfico, existencial e religioso que nos encontramos. Assim acrescemos: “credere aude” e “discernere aude”, ou seja, ousamos crer e discernir à luz da Sabedoria tudo o que nos envolve…
VRP;
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O Caminho que Exige

Existe um certo tipo de “cristianismo” sendo gestado na vida de muitas pessoas que não condiz com a realidade plena da fé. Um Cristianismo sem cruz, sem Jesus, sem comunidade comunhão, sem sacerdote, sem espiritualidade verdadeiramente cristã. O espírito mundano se enraiza cada vez mais nas consciências desavisadas e desprotegidas. Os ventos de doutrinas e de meras opiniões pessoais ou de ideologias impregnam a vida de sujeitos pacatos, em que o interesse está meramente em desacreditar o que pouco se acredita (cf. Éfesios 4,14-15)…
A ignorância da própria fé, o desconhecimento da própria origem divina faz com que alguns se percam pelo caminho.
Se perdem, não porque querem exatamente, mas porque ignoram a verdade possível de ser experimentada. Eles mesmos colocam o véu sobre si e impedem a si mesmos de verem a luz que clareia toda razão.
Lutemos para que nossos olhos e nossa razão não se turve diante do propósito de aderir e viver uma vida que se identifique integralmente ao Objetivo absoluto a que se pretende chegar. Ele que é único e universal!“Deus nos livre de uma Igreja mundana sob vestes espirituais ou pastorais” (Evangelii Gaudium, n⁰ 94).
VR, Pereira
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SENSIBILIDADE HUMANA E DIVINA

No silêncio da alma, uma voz sussurra,
Uma sensibilidade que nos conecta,
Ao coração do universo, à essência divina,
Onde o amor e a compaixão são a mesma coisa.
Com olhos que veem além da superfície,
Nós sentimos a dor, a alegria e a esperança,
Da humanidade, com todas as suas fragilidades,
E da divindade, com toda a sua majestade.
Nessa dança entre o humano e o divino,
Nós descobrimos a beleza da sensibilidade,
Que nos permite sentir, amar e compreender,
E conectar-nos com o mundo e com o universo.
Com cada respiração, nós nos abrimos,
Para a possibilidade de amar e ser amados,
E para a sensibilidade que nos guia,
Na jornada em direção ao coração divino. -
Decisão Ontológica

Uma das características do agir humano é a tomada de decisão. A partir disso nos perguntamos pelos motivos aos quais uma pessoa ou coletividade decide suas ações. De início, de modo razoável e sem muitas teorias, alguém decide movido por emoções e forças internar ou externas próprias de influências. Agimos por nós mesmos, por nossas crenças, pelo uso da dita e cara liberdade. Podendo também movido por forças externas de determinadas situações, que nos levam a agir livremente ou nos forçando a fazer certas escolhas. O existencialista Sartre nos chama atenção para o fato de que escolhendo ou deixando de o fazer, somos livres. Ela é um aspecto intransponível da condição humana.
Agora, por que fazemos o que fazemos? – saberíamos dar uma reposta adequada a essa questão em nossa vida pessoal? – Nem tudo precisa ser explicado, todavia assumir uma consciência dos nossos atos é de suma importância…
Se desistimos por algum motivo, isso pode talvez arruinar a nossa meta, bem como deixar ou abrir mão de certas escolhas, poderá ser de grande valia posterior. É certo que o objetivo a ser atingido só é possível quando lidamos e ultrapassamos os obstáculos do cotidiano. As distrações reais e virtuais, criada ou inventadas pela nossa consciência, (ativada pelo medo), podem ser destruídas e reutilizadas para passarmos pelos abismos do nosso percurso.
Assumir o próprio existir é ser capaz de escrever ou rascunhar a própria vida! Se estranhos marcam mais nossa existência que a nós mesmos, então deixaremos outrem fazer o que é de direito pessoal nosso. Os outros podem fazer parte, desde que o responsável de si mesmo seja cada um, na sua condição singular de ser e de se manifestar. – Se para a Divindade aplicamos os termos teológicos de Teofanias/Epifanias/Cristofanias, então para o ser humano, como poderíamos chamar? De Antropofanias? – parece razoável. (Não pesquisei no dicionário…[risos internos])…
Antropofanias é, a meu perceber, o ser humano, dotado de razão e sensibilidade, agindo no meio humano e espiritual, buscando, dessa maneira, um sentido para sua vida e conferindo sentido ao que lhe rodeia. Mesmo algo não tendo sentido, o humano lhe confere um para que signifique algo para si. A linguagem sobre os objetos e a compreensão sobre eles é importante.(Ter consciência de dada “coisa”, concede ao ser racional poder e domínio sobre a mesma).
A partir da filosofia do “tudo flui” de Heráclito, o que exige de si mesmo uma permanência é a vontade de decisão! Ela é própria da essência humana. Decidir ou deixar de decidir por livre decisão. Isso não é mero jogo retórico de palavras. É verbalização de um dado da própria natureza humana, criada ou evoluída num tempo determinado da história (C. Darwin).