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Solidariedade sem Fronteiras

Uma pergunta provoca o intelecto humano e a postura social que temos diante dos acontecimentos: “quem é o meu próximo?” (Lc 10, 36-37).
A partir de uma leitura crítica do relato bíblico, o próximo não é apenas o amigo, o conhecido, o de mesma nacionalidade, raça ou gênero. O próximo é toda pessoa necessitada da nossa atenção singular em suas condições adversas – em todos os âmbitos da vida!
Ser humanamente próximo é aplicar a si mesmo a condição do outro. A proximidade não é geográfica, mas de humanidade e de sensibilidade humana em vista dos desafios enfrentados na vivência da própria dignidade pessoal e relacional. Estamos falando de um próximo de natureza universal, não só em categoria conceitual, como também de aplicação e vivência. Nesse sentido, ” a categoria do próximo é universal, não particular, isto porque o próximo indica o homem, [o ser humano total e todos eles]” (Cantalamessa, 2022, p. 678).
A solidariedade não possui fronteiras. Se existe, requer ser superada! As barreiras precisam ser quebradas para que todos possam ser dignos de Compaixão, de altruísmo e misericórdia…
O próximo pode ser o outro, igual ou diferente de nós, e pode ser nós mesmos, diante das nossas limitações! Não existe sujeitos autossuficientes, não se pode viver por si mesmo, porque somos pessoas naturalmente de relação. Em algum momento da vida seremos provocados a estender a mão e de sermos socorridos por alguém, até mesmo por um estrangeiro. Com isso, urge afastar-se da prática do mal e voltar-se sempre para o bem (Ez 18, 27).
Fazei o bem e sempre terá o bem a seu favor! Nesse caso, o princípio moral fundamental da vida é a universalidade do bem. Ser bom em qualquer condição e circunstância.
Pereira, VR.
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O que esperar?

“Haverá choro e ranger de dentes” (Lc 13, 28) – é a expressão usada por Jesus ao dizer da condenação eterna daqueles que praticaram a injustiça e não se esforçaram por passar pela porta estreita (cf.Lc 13, 22-30).
A busca pela porta larga, mais fácil e cômoda, faz com que muitos ganhem a vida presente, porém se distanciem da experiência da eternidade proporcionada pela passagem estreita e mais exigente, que é a proposta de Jesus e o caminho seguro de salvação.
Quem pode ser salvo? Todas as pessoas podem ser salvas, desde que estejam dispostas a assumir as exigências do caminho/porta estreita.
O Evangelho não lida com exclusivismos, mas com inclusão. Todos os seres humanos estão inseridos na dinâmica da Redenção. Todavia, cada pessoa precisa fazer suas escolhas e seu caminho nesse processo salvífico…
O desespero será vivido por aqueles que não agiram e não optaram pela proposta do evangelho, implícita ou explicitamente. Isso especialmente por verem os grandes homens e mulheres junto à Deus na eternidade, enquanto a “porta eterna” estará se fechando diante de si. Aqui se dará a ausência da esperança e o começo de um grande desespero!
Desse modo, podemos ilustrar tal situação a partir do poema de Dante Alighieri, quando de sua entrada no Inferno (canto III, verso 1-9):
“Vai-se por mim à cidade docente,
Vai-se por mim à sempiterna dor,
Vai-se por mim entre a perdida gente.
Moveu justiça o meu alto feitor,
Fez-me a divina potestade, mais o supremo saber e o primo amor.
Antes de mim não foi criado mais nada senão o inferno, e eterna eu duro.
Deixai toda esperança, ó vós que entrais”
A partir desse trecho de Dante (2014, p. 37), observamos que não haverá esperança de redenção ou salvação para aqueles que descem a tão atormentada condição. É uma inscrição que marca definitiva e profundamente a existência final dos condenados, além da própria natureza do inferno. E por isso fala-se de desespero e desesperança: “choro e ranger de dentes”!
Certamente o inferno é ausência total e eterna de Deus. E de um Deus que é esperança e o fundamento de toda esperança numa vida melhor e feliz…
Afinal, o que esperar? – com o profeta Miqueias, esperamos em Deus, o nosso Salvador (Mq 7,7-8). Pois com esperança, esperamos n’Ele…
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DIA COMUM

Dia comum
Mãe e filha andarilhas,
À procura do esperado;
Desejo de conquista,
O dia comum como qualquer outro;
O movimento da vida sou eu mesmo,
Ondulações do cotidiano,
Emoções do descampado.
A vida comum é fazer o estabelecido,
A vida comum é ser sendo,
A vida comum é carregar o peso da bagagem própria de cada dia.
A vida comum é acolher a si e o outro.
É aceitar a companhia de quem se ama e se quer bem!
O cotidiano é comum para quem já se acostumou a viver!Pereira, VR.
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SENTIMENTO POÉTICO

QUERERES
Pouca coisa!
Não quero muito
Quero o essencial
Quero eu mesmo
Quero minha intimidade
Quero minha liberdade
Quero minha consciência
Quero minha pele e meu desejo
Quero ser eu, com ou sem você
Quero sentir e perceber
Sou o que sou
Sou o que pretendo ser
Um ser singular no emaranhado da vida!
Quero vida, existir e inexistir
Apenas Quero ser!—– —–
DEVANEIOS
O dia passando
Você vivendo
Eu te desejando
A vida transcorrendo
O tempo diminuindo
A distância aumentando
O calor se esvaindo
Um retorno é necessário
Onde o amor é o vínculo
Os afetos o entrelaço
Onde passo e te encontro?
Te espero sem sossego
Num teu amasso ter o meu regaço! -
“Abusadores Espirituais?”

Vivemos numa sociedade marcada pela expressão religiosa, do Sagrado e das diversas manifestações das religiosidades populares, míticas e místicas. O pensador Mircea Eliade já concebia o ser humano como sujeito essencialmente religioso. Ele está sempre em busca de transcendência e da transcendência. Ele não se contenta com apenas ser criatural ou material, busca constantemente a via espiritual e sobrenatural da existência. E tudo isso se apresenta no seu modo de agir e de se relacionar com o mudo e com as pessoas.
Um dos riscos, nesse emaranhado religioso, é a ilusão ou a alienação da fé e da razão. Isso pelo fato de não manter-se firme, numa consciência clara e distinta, diante das atrocidades verbais e morais que muitas pessoas podem se deparar. A busca incansável ou insaciável, sem prévia reflexão crítica, pode levar a uma situação degradante. Fazendo com que viva uma religião da alienação ou tornando-se robotizado mediante instruções de determinados sistemas e modos operandi de indivíduos aproveitadores. Aqui também pode está a conjugação entre o abusador espiritual e sua possível vítima. O abusador dominador será tanto mais eloquente em suas investidas, tanto mais a vítima se deixar seduzir por ele. Segundo Gabriel Perissé, o abusador de cima é alimentado pelo fanatismo da vítima (debaixo), pois a doentia situação desta favorece a doentia situação daquele. Com isso, somos levados a examinar “nosso próprio papel na sustentação de um ciclo de violência”(Burgis, 2025, p. 178)!
Em tempos de necessidades e de muitas ofertas, exige-se maior criatividade e clareza do que, de fato, vale a pena aderir e se propor a seguir. O crivo racional, que não é mero racionalismo, ajuda a atentar-se para o essencial da fé e da busca pelo eterno.
Uma coisa é certa, “todos nós estamos sujeitos a agir como manipuladores ou a ser manipulados” (Perissé, 2024, p. 195). E a busca pelo equilíbrio é fundamental! Conhecendo as próprias limitações e deficiências emocionais e afetivas, e procurando cuidar-se na área da medicina dos afetos, da fé e da razão.
“Sapere Aude” – ousar a aprender sobre si e sobre os mecanismos e sistemas que nos envolvem, é uma maneira positiva para atentar-se ao nível geográfico, existencial e religioso que nos encontramos. Assim acrescemos: “credere aude” e “discernere aude”, ou seja, ousamos crer e discernir à luz da Sabedoria tudo o que nos envolve…
VRP;
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O Caminho que Exige

Existe um certo tipo de “cristianismo” sendo gestado na vida de muitas pessoas que não condiz com a realidade plena da fé. Um Cristianismo sem cruz, sem Jesus, sem comunidade comunhão, sem sacerdote, sem espiritualidade verdadeiramente cristã. O espírito mundano se enraiza cada vez mais nas consciências desavisadas e desprotegidas. Os ventos de doutrinas e de meras opiniões pessoais ou de ideologias impregnam a vida de sujeitos pacatos, em que o interesse está meramente em desacreditar o que pouco se acredita (cf. Éfesios 4,14-15)…
A ignorância da própria fé, o desconhecimento da própria origem divina faz com que alguns se percam pelo caminho.
Se perdem, não porque querem exatamente, mas porque ignoram a verdade possível de ser experimentada. Eles mesmos colocam o véu sobre si e impedem a si mesmos de verem a luz que clareia toda razão.
Lutemos para que nossos olhos e nossa razão não se turve diante do propósito de aderir e viver uma vida que se identifique integralmente ao Objetivo absoluto a que se pretende chegar. Ele que é único e universal!“Deus nos livre de uma Igreja mundana sob vestes espirituais ou pastorais” (Evangelii Gaudium, n⁰ 94).
VR, Pereira
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SENSIBILIDADE HUMANA E DIVINA

No silêncio da alma, uma voz sussurra,
Uma sensibilidade que nos conecta,
Ao coração do universo, à essência divina,
Onde o amor e a compaixão são a mesma coisa.
Com olhos que veem além da superfície,
Nós sentimos a dor, a alegria e a esperança,
Da humanidade, com todas as suas fragilidades,
E da divindade, com toda a sua majestade.
Nessa dança entre o humano e o divino,
Nós descobrimos a beleza da sensibilidade,
Que nos permite sentir, amar e compreender,
E conectar-nos com o mundo e com o universo.
Com cada respiração, nós nos abrimos,
Para a possibilidade de amar e ser amados,
E para a sensibilidade que nos guia,
Na jornada em direção ao coração divino. -
Decisão Ontológica

Uma das características do agir humano é a tomada de decisão. A partir disso nos perguntamos pelos motivos aos quais uma pessoa ou coletividade decide suas ações. De início, de modo razoável e sem muitas teorias, alguém decide movido por emoções e forças internar ou externas próprias de influências. Agimos por nós mesmos, por nossas crenças, pelo uso da dita e cara liberdade. Podendo também movido por forças externas de determinadas situações, que nos levam a agir livremente ou nos forçando a fazer certas escolhas. O existencialista Sartre nos chama atenção para o fato de que escolhendo ou deixando de o fazer, somos livres. Ela é um aspecto intransponível da condição humana.
Agora, por que fazemos o que fazemos? – saberíamos dar uma reposta adequada a essa questão em nossa vida pessoal? – Nem tudo precisa ser explicado, todavia assumir uma consciência dos nossos atos é de suma importância…
Se desistimos por algum motivo, isso pode talvez arruinar a nossa meta, bem como deixar ou abrir mão de certas escolhas, poderá ser de grande valia posterior. É certo que o objetivo a ser atingido só é possível quando lidamos e ultrapassamos os obstáculos do cotidiano. As distrações reais e virtuais, criada ou inventadas pela nossa consciência, (ativada pelo medo), podem ser destruídas e reutilizadas para passarmos pelos abismos do nosso percurso.
Assumir o próprio existir é ser capaz de escrever ou rascunhar a própria vida! Se estranhos marcam mais nossa existência que a nós mesmos, então deixaremos outrem fazer o que é de direito pessoal nosso. Os outros podem fazer parte, desde que o responsável de si mesmo seja cada um, na sua condição singular de ser e de se manifestar. – Se para a Divindade aplicamos os termos teológicos de Teofanias/Epifanias/Cristofanias, então para o ser humano, como poderíamos chamar? De Antropofanias? – parece razoável. (Não pesquisei no dicionário…[risos internos])…
Antropofanias é, a meu perceber, o ser humano, dotado de razão e sensibilidade, agindo no meio humano e espiritual, buscando, dessa maneira, um sentido para sua vida e conferindo sentido ao que lhe rodeia. Mesmo algo não tendo sentido, o humano lhe confere um para que signifique algo para si. A linguagem sobre os objetos e a compreensão sobre eles é importante.(Ter consciência de dada “coisa”, concede ao ser racional poder e domínio sobre a mesma).
A partir da filosofia do “tudo flui” de Heráclito, o que exige de si mesmo uma permanência é a vontade de decisão! Ela é própria da essência humana. Decidir ou deixar de decidir por livre decisão. Isso não é mero jogo retórico de palavras. É verbalização de um dado da própria natureza humana, criada ou evoluída num tempo determinado da história (C. Darwin).
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A Oração como Diálogo

Na espiritualidade de comunhão fundamenta-se nossa relação com Deus, sumo bem, e com os irmãos. Isso é evidente na experiência da Eucaristia. E dentro da Liturgia, no seu todo, percebemos essa relação com Deus Pai, o Filho, na ação do Espírito Santo. E nós, seres humanos, somos inseridos nessa dinâmica dialogal. Certamente a Liturgia é uma grande oração em que, nas suas particularidades, possuem diversas outras orações que nos ajudam a entrar na dinâmica da comunhão e no diálogo com o sobrenatural, ambientados numa assembleia celebrante.
Para dialogar requer a realização da cultura do encontro (Papa Francisco). O encontro que gera vida e perspectivas de transformação do eu e do outro. Dialogar exige dos envolvidos a capacidade de abertura, acolhida e aceitação, não só de si, mas também do outro, com suas particularidades. Quem não dialoga está fechado ao diferente, é intolerante, é violento e gera guerras e conflitos. O diálogo, provindo da vida de oração, gera paz, harmonia, fraternidade e compreensão. Nesse sentido, apresentamos os “3 S” da espiritualidade oracional.
O Primeiro “S” é o da “Solidão“. Essa expressão nos leva a experiência do estar sozinho. Mas ao mesmo tempo acompanhado de si mesmo e de Deus. É a solidão positiva. Segundo Thomas Merton (2008), na solidão nos deparamos com a verdade nua e crua de nós mesmos. Sem ela, não se é possível crescer no saber de si. E o medo de entrar em si mesmo, leva as pessoas a fugirem cada vez mais dessa experiência. A solidão é necessária, pois Elias na solidão do Monte Oreb faz o encontro com Deus na Brisa suave (1Rs 19); Jesus na solidão do deserto foi tentado pelo Diabo (Lc 4); Jesus na solidão da Cruz disse: “Pai, porque me abandonaste?” (Mt 27,46). Na solidão lidamos com o afastamento, com o abandono, com o sofrimento e com o reconhecimento de nossas fraquezas, do nosso verdadeiro eu. De tal modo que, na solidão da oração, encontramos Deus!
O Segundo “S” é do “Silêncio“. Negar o silêncio é negar a essência de Deus, dizia o cardeal Robert Sarah (2017). Ele ainda diz que ” no céu não existem palavras, Deus não faz ruídos”. Dessa maneira, o salmo 62 nos afirma que: “a minha alma está silenciosa somente diante de Deus, dele me vem a salvação”. E se aprende na oração o tempo certo para falar e para se calar, conforme Eclesiastes 3,7. No silêncio da solidão, Jesus reza ao Pai no Monte das Oliveiras para que lhe afastasse o Cálice, porém que pudesse ser feita a Tua vontade (cf. Lc 22). Assim percebemos que, diante do nascimento temos o grito ou o choro da vida que surge; sendo que diante da morte só existe o silêncio. Na morte impera o silêncio do eu com o tu, que é Deus. No silêncio em Família, à mesa, desfruta-se da presença dos outros e melhor se aprecia os alimentos… Assim, “O silêncio da oração é um silêncio eucarístico, um silêncio de adoração, um silêncio de Deus” (Sarah, 2017). A Liturgia da Eucaristia e a Liturgia da vida nos pedem um pouco mais de silêncio, numa sociedade da tagarelice, do barulho ensurdecedor…
Por fim, o Terceiro “S” é o da “Santidade“. Isso porque a oração nos santifica. E na oração encontramos caminhos para uma vida sempre mais santa. Sem nos esquecer de que a santidade não nos faz menos humanos, pois ela é exatamente o encontro da nossa fraqueza com a força da Graça de Deus (Papa Francisco). Na busca constante da santidade, tenhamos em nossa vida diária pessoas que sejam modelo, tanto as que convivem conosco, como os santos já declarados pela Igreja. A via da Santidade é acessível e possível a todos. Cada um a segue conforme sua própria condição de vida.
Pereira, VR.
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“Totalidade de si mesmo”

Estamos vivendo numa era em que se percebe uma grande fragmentação da vida como um todo. A partir disso percebemos as crises diversas que as pessoas passam e que muitas vezes não conseguem ultrapassar, porque não possuem forças necessárias para um salto qualitativo de vida.
Estamos num universo cultural vasto de informações, polarizações e infuências de todos os tipos: política, religiosa, educacional, econômica, dentre outras. As pessoas perdem o foco com muita facilidade, pois estão submersas no campo infinito da tecnologia que acaba convencendo e ocupando o tempo que poderia ser bem utilizado para a reconstrução de si mesmas por meio de uma regeneração ou desintoxicação dos conteúdos negativos absolvidos no passado, por experiências não favoráveis.
A plasticidade do cérebro humano parece inútil ou não bem usado para o bom desenvolvimento da pessoa. Nesse sentido, a saúde humana está em questão. Parece estarmos doentes em todas as áreas da vida. Isso se observa nas pequenas e grandes escalas. E para curar ou favorecer a saúde do ser humano, não basta receitas ou fórmulas de determinados sites e de sistemas computacionais. Requer uma relação interpessoal. A cura só pode ser positiva quando o humano relaciona-se com outro humano. Temos como exemplo o próprio Jesus.
Jesus para curar e aliviar o sofrimento das pessoas, precisou fazer-se presente em suas vidas. Não uma presença virtual, mas real. Presença que impacta é aquela que causa incômodo. O poder curativo da presença de Jesus faz com que a pessoa saia de sua condição existencial e espiritual excludente para uma condição de inclusão e reabilitação no campo de atuação do Mistério de um Deus Pessoa que manifesta-se afetuosamente ao mundo circundante. Jesus, assim, descortina para nós a metafísica da cultura do encontro (Papa Francisco). Ou seja, a força transformadora do encontro! Do elemento humano pode e atua o sobrenatural. Desse modo, o humano é salvo por inteiro, em sua totalidade. Jesus por inteiro se colocou na vida das pessoas e as resgatou integralmente: no corpo, na alma e na condição socio-política de seu tempo.
No tempo em que vivemos, nos movemos e existimos, requer enaltecer a “Medicina da Saúde” (Costa, 2024). Diante das doenças relacionadas a alma, ao corpo, a família e ao emocional, urge buscar um caminho que favoreça essa saída de um estado humano doentio para um mais robusto e potencializado para lidar com os desafios da vida pessoal e social.
É certo dizer que a cura requer tempo, espaço, silêncio, escuta, contato e interioridade transparente. Somente a partir da consciência de doença é que se pode buscar e aproveitar da medicina e das trilhas de saúde oferecidas. O equilíbrio é virtude para todo o que intenta estar bem consigo e com o outro. A alteridade (Lévinas) só acontece quando ela está firmemente arraigada em nosso modo de vida.
O cuidado de si é ponto modal para ser capaz de cuidar do próximo e também para dar conta das funções sociais que se tem. Por isso, o conhecer-se a si mesmo, conforme a máxima de Sócrates, é basilar para todos. A saída do automatismo, da robotização da vida, da expressão de massa (coletivismo) (Nietzsche) para uma consciência mais clara e profunda de si. Uma questão filosófica e existencial é posta: “quem sou eu”, e ela exige de cada pessoa uma resposta. A resposta será, de fato, resultado das nossas escolhas ao longo da construção da vida. Do ciclo da doença, requer a busca constante de nos adentramos no ciclo da saúde (Costa, 2024, p. 51) – saúde e bem estar! O apelo é constante para que sejamos pessoas inteiras naquilo que fazemos. Conscientes de que o ser precede o fazer (Bento XVI), do mesmo modo em que o ser precede o existir ou o manifestar-se nos ambientes dos fenômenos da vida cotidiana.
Pergunte-se: Como tenho me sentido e me auto-percebido nesses últimos dias?
Autor: Pereira, VR.