Estamos vivendo numa era em que se percebe uma grande fragmentação da vida como um todo. A partir disso percebemos as crises diversas que as pessoas passam e que muitas vezes não conseguem ultrapassar, porque não possuem forças necessárias para um salto qualitativo de vida.
Estamos num universo cultural vasto de informações, polarizações e infuências de todos os tipos: política, religiosa, educacional, econômica, dentre outras. As pessoas perdem o foco com muita facilidade, pois estão submersas no campo infinito da tecnologia que acaba convencendo e ocupando o tempo que poderia ser bem utilizado para a reconstrução de si mesmas por meio de uma regeneração ou desintoxicação dos conteúdos negativos absolvidos no passado, por experiências não favoráveis.
A plasticidade do cérebro humano parece inútil ou não bem usado para o bom desenvolvimento da pessoa. Nesse sentido, a saúde humana está em questão. Parece estarmos doentes em todas as áreas da vida. Isso se observa nas pequenas e grandes escalas. E para curar ou favorecer a saúde do ser humano, não basta receitas ou fórmulas de determinados sites e de sistemas computacionais. Requer uma relação interpessoal. A cura só pode ser positiva quando o humano relaciona-se com outro humano. Temos como exemplo o próprio Jesus.
Jesus para curar e aliviar o sofrimento das pessoas, precisou fazer-se presente em suas vidas. Não uma presença virtual, mas real. Presença que impacta é aquela que causa incômodo. O poder curativo da presença de Jesus faz com que a pessoa saia de sua condição existencial e espiritual excludente para uma condição de inclusão e reabilitação no campo de atuação do Mistério de um Deus Pessoa que manifesta-se afetuosamente ao mundo circundante. Jesus, assim, descortina para nós a metafísica da cultura do encontro (Papa Francisco). Ou seja, a força transformadora do encontro! Do elemento humano pode e atua o sobrenatural. Desse modo, o humano é salvo por inteiro, em sua totalidade. Jesus por inteiro se colocou na vida das pessoas e as resgatou integralmente: no corpo, na alma e na condição socio-política de seu tempo.
No tempo em que vivemos, nos movemos e existimos, requer enaltecer a “Medicina da Saúde” (Costa, 2024). Diante das doenças relacionadas a alma, ao corpo, a família e ao emocional, urge buscar um caminho que favoreça essa saída de um estado humano doentio para um mais robusto e potencializado para lidar com os desafios da vida pessoal e social.
É certo dizer que a cura requer tempo, espaço, silêncio, escuta, contato e interioridade transparente. Somente a partir da consciência de doença é que se pode buscar e aproveitar da medicina e das trilhas de saúde oferecidas. O equilíbrio é virtude para todo o que intenta estar bem consigo e com o outro. A alteridade (Lévinas) só acontece quando ela está firmemente arraigada em nosso modo de vida.
O cuidado de si é ponto modal para ser capaz de cuidar do próximo e também para dar conta das funções sociais que se tem. Por isso, o conhecer-se a si mesmo, conforme a máxima de Sócrates, é basilar para todos. A saída do automatismo, da robotização da vida, da expressão de massa (coletivismo) (Nietzsche) para uma consciência mais clara e profunda de si. Uma questão filosófica e existencial é posta: “quem sou eu”, e ela exige de cada pessoa uma resposta. A resposta será, de fato, resultado das nossas escolhas ao longo da construção da vida. Do ciclo da doença, requer a busca constante de nos adentramos no ciclo da saúde (Costa, 2024, p. 51) – saúde e bem estar! O apelo é constante para que sejamos pessoas inteiras naquilo que fazemos. Conscientes de que o ser precede o fazer (Bento XVI), do mesmo modo em que o ser precede o existir ou o manifestar-se nos ambientes dos fenômenos da vida cotidiana.
Pergunte-se: Como tenho me sentido e me auto-percebido nesses últimos dias?
Autor: Pereira, VR.

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