O tema é título de uma obra de Lev Tolstói, grande literato nascido em 1828 na Rússia, falecido em 1910, quando de uma crise existencial, deixava a família e tentara refugiar-se num mosteiro aos 82 anos…
O que mais desperta a curiosidade é já o título de sua obra, “felicidade conjugal”, pois o termo felicidade já aguça o desejo de toda pessoa que tende a qualquer experiência que favoreça o ápice de uma fida feliz. Ainda mais quando se trata de uma vida a dois, em que um precisa fazer o outro feliz. Por isso que se compreende casamento como fazer os outros e não a si mesmo realizado.
A vida a dois sempre implica uma renuncia em vista do bem do outro, e quando isso não é mais vivido, logo vem o fracasso e as decepções. Não está em questão quem pode mais, mas quem abre mão da própria felicidade para fazer o outro feliz, pois este está sempre, e precisa estar, em primeiro plano.
Os encantos, afetos e atrações dos primeiros momentos são bons. Todavia requer pensar a longo prazo, pois a vida conjugal é experiência perpetua e se estende na história, por ser uma realidade divina, não só humana (CIgC, par. 1603). O amor conjugal, assim, está para além das aparências e das meras satisfações humanas. Por isso implica, a seu modo, um despertar vocacional. Só pode ser feliz na vida conjugal quem é vocacionado ao amor matrimonial.
Mesmo que o tempo destrua a beleza estética-física, num verdadeiro amor ainda permanecerá a beleza interior e a atração afetiva pelo outro. Desse modo, demonstra a permanência com o que é essencial e superior a tudo que é passageiro. Desse modo, a experiência do encanto e do deixar-se encantar pelo parceiro de viagem leva a seguinte conclusão: “[…] além do seu amor por mim, ele também se extasiava comigo” (p. 78). De fato, Matrimônio é uma “união de toda a vida” (cf. CIC, c. 1055). O eu por inteiro e todo entregue e recebido numa relação!
A felicidade conjugal não está na ausência de sofrimentos e sacrifícios, mas no assumir conscientemente as consequências dessa escolha, de uma condição de vida fundamental. Tendo em vista as diferenças e qualidade de cada um que favorecerão a vida a dois. Sendo que na diferença se fortalece a unidade! – não com tentativas de sobreposições entre um e outro, porém contribuindo e somando com aquele que precisa crescer integralmente na sua espiritualidade e humanidade. Sendo, assim, uma só carne, tendo uma só aspiração, que é o bem de todos, sua santificação e salvação!
autor: V.,rP.

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