Obra: “Velho na Tristeza” de Vincent Van Gogh (1890)
Conhecer a si mesmo, expressão sabida a partir da realidade do pensador grego, Sócrates, originária do oráculo de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo”!!! E de tudo o que estamos sujeitos a viver e experimentar, nos cabe voltar a nós mesmos, sem ressentimentos, e iluminar nossa própria condição de vida, de sujeitos existentes: já questionou a si mesmo em seu campo moral, espiritual, humano e dentre outros? Tendo em vista, a seu modo, condições que se liquefazem com facilidade (Bauman) e fluem com rapidez voraz, algo precisa permanecer, a consciência de nós mesmos e de tudo aquilo que vivermos.
Desse modo, que bem possuímos ou que temos total domínio sobre ele? – Talvez a insignificância humana esteja em saber que nada possui além de si mesmo, com suas cargas de experiências boas e ruins que carrega consigo. Mesmo que construa sua vida/existência com outrem, permanece apenas si mesmo, em sua solidão mais profunda, além das muitas indagações postas a si, enquanto respirar. Aqui, possivelmente, esteja o sentido da vida: entrar no interior de si mesmo e descobrir-se numa solidão significada!
Se se colocamos o sentido da vida ou se vivemos em prol de alguém ou de algum objeto material, não nos esqueçamos que em algum momento haveremos de o perder. Tudo se perde! O que não pode acontecer é perder-se a si… Parece-nos que uma das questões mais difíceis de resposta imediata seja “a partir de que princípios ou critérios criar ou escolher esse ou aquele sentido?” (BOFF, 2018, p. 69). Oportuno dizer que os fatos caracterizam a nossa existência. Eles preenchem nossos espaços vazios. Porém ainda continuaremos numa busca insaciável.
A partir do existencialista Karl Jaspers (1883-1969), poderíamos nos questionar sobre qual o “problema do homem” (2011, p. 51-61). Ante isso, ficaríamos ‘medidamente’ satisfeitos em saber que o problema do humano implica em dizer que “está sozinho no mundo imenso e mudo”, ou seja, existe em meio ao caos deste mundo um silêncio que repercute até as entranhas dos sobreviventes. Aqui se situa, a seu tempo, a oportunidade de voltar-se para si mesmo, para sua consciência, com o intuito de redescobrir-se. Este é o conhecimento fundamental que nenhuma ciência moderna poderá acessar ou dominar em sua plenitude.
Não colocamos um ponto final nessa reflexão, mas que de alguma maneira nos ajude a meditar sobre nossos paradigmas, que a nossa “consciência de ser se realiza com base em algo que ele jamais compreende, mas de que acredita participar uma vez que seja ele mesmo” – se somos nós mesmos em tudo, então nada nos desviará do percurso que pretendemos, não haverá modos de alienação que nos retire dos horizontes de realizações. Acima de tudo, nos realizamos pelo que somos! E o “agir comunicativo” parte dessa premissa fundamental do Eu que se comunica de dentro para fora, para o mundo…
Vale ressaltar as expressivas palavras de Saint-Exupéry na sua obra “O Pequeno Príncipe” (2016, p. 74): “você se torna para sempre responsável por aquilo que cativou”… E a partir daquilo que cativamos descobriremos o preço da felicidade!
(V.rP.)

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