“Consciência é, na realidade, […] uma rede de ligação entre pessoas” (NIETZSCHE)
Não podemos, enquanto seres relacionais, vivermos um determinismo de que somos lobos de nos próprios – “o homem é lobo do homem”, como enfatizou Thomas Hobbes no século XVI. É preciso superar esta ideia minimalista do ser humano, percebendo que na solidariedade, como valor universal, nos percebemos necessitados uns dos outros. Não há construção da sociedade arraigada num certo tipo de individualismo. Há um sonho comum, por isso mesmo, requer ser solidarizado, compartilhado como, ao mesmo tempo, um “caminho comum”.
A solidariedade está relacionada as instituições, incluindo as educativas. Desse modo, necessita da ação de toda pessoa humana, do sujeito social, para que se torne efetiva e se consiga obter bons resultados. Como ou em que ser solidário? Na prática do bem, na busca pela justiça, na disseminação daquilo que é bom, belo e verdadeiro. A partir de uma vida solidária é que nos colocamos contra as falsas verdades (fake News), contra a opressão, as injustiças políticas e sociais; contra uma cultura do descarte e do provisório, dentre outras pautas que poderão ser reivindicadas ou levantadas por todos que se dispõem a esta missão de sujeitos da própria história…
É por meio do princípio da solidariedade que tomaremos consciência de que os valores relativos: a verdade, a justiça, a liberdade e as virtudes inerentes de cada pessoa, terão relevância para a constituição da própria identidade e da identidade daqueles que nos rodeiam (P. C. “J.P.”, 2019, p. 119- 125).
É por meio dela, a solidariedade, que geramos uma autêntica amizade e fraternidade social, colegial. Sendo assim, atingiremos o ideal de vida que corresponda a integração de todos, dos novos aos mais idosos do nosso tempo. Desse modo, estaremos inseridos na dinâmica forte de um “Humanismo Solidário”, como o próprio nome exprime, o ser humano no centro de todas as questões da vida. Solidários a quem está feliz e também a quem está triste; na opulência e na miséria; e com aqueles que estão passando por sofrimentos existências, espirituais e psíquicos.
Poeticamente, somos impulsionados a construirmos no jardim da existência uma ‘ética do cuidado’ – cuidar de si e do próximo! De modo especial, a solidariedade significa serviço para com os mais frágeis – quem é a pessoa frágil ao nosso redor: meu professor; meu colega de turma; meu aluno; meus pais; os filhos, os amigos ou nós mesmos? Quem é o ser frágil desta história solidária? – Por fim, a solidariedade como valor faz superar toda forma de discriminação: racial, religiosa, ideológica, política ou educacional; de egoísmo, violência, corrupção ou indiferença (cf. FRANCISCO, 2020, p. 62-64) – “Fratelli Tutti”, somos todos irmãos!
Diante de tudo isso, a consciência sendo constituída a partir da unidade entre o iguais, nos torna plenamente sensíveis ao existir do outro. Só poderemos assumir nossa existência quando o outro fizer parte desta mesma condição. O conjunto perfaz-se a partir das suas partes! Cada um é peça essencial para o grande relógio histórico. É a simples premissa de que na diferença surge a unidade. Sendo assim, a solidariedade entre os membros de uma mesma sociedade a torna forte na situação de paz e de fragilidades cotidianas…
Tecendo redes é que se constrói a vida!
Pintura: “Criança Morta” de Portinari (1944).

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