Enterramos os mortos com uma sensação de que um dia estaremos na mesma condição. Morrer é um sinal de impotência diante da vida. Não somos senhores de nós mesmos. A dolorosa despedida nos coloca numa posição de sujeitos frágeis. Para uns ela é alívio, para outros se torna dor, sofrimento e angústia. Não fomos educados para a morte, por isso mesmo incompletos no viver.
Se hoje sepultamos o corpo humano, somos incitados a dar origens as memórias. Memoráveis são os tempos e oportunidades da convivência salutar… Mortos no corpo, vivos na memória de tantos peregrinos. Andarilhos na história alheia e ao mesmo tempo tocados pelo existir do outro.
Se hoje despedimo-nos, como será nossa despedida? Se agora consolamos, como seremos consolados em nossa partida? Se tornamos a morte menos dolorosa para outrem, como a sentiremos a partir de nós mesmos? – morte minha, minha morte…
O realismo mortificante nem sempre expressa nossa convicção diante dos fatos da existência. Aquele que suaviza a morte um dia será também revestido das mesmas vestes… O fim é imprevisível, por isso inevitável!!!
Pintura: “Deposição de Cristo” de Caravaggio (1603/1604)

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