Podemos iniciar a presente reflexão com as palavras de São Lucas, em que Jesus apresenta aos discípulos seu profundo desejo de fazer a última refeição na companhia deles – “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta ceia pascal, antes de padecer” (Lc 22, 15).
Só nos sentimos satisfeitos com presenças que, de fato, nos trazem significados de vida, humanismo, solidariedade, ternura e amor oblativo.
E tudo isso Deus realiza em nossas vidas quando nos deixamos envolver por seu mistério salvífico. Tal mistério, antigo e sempre novo, se vive e testemunha no contexto da liturgia, cujo centro é Deus.
O Deus trindade, com seu amor eterno, envolve toda a comunidade celebrante. Por isso dizemos que a liturgia bem celebrada faz com que todas as pessoas vivam a salvação que acontece e se atualiza no “hoje” da existência humana.
Mais do que um encontro de irmãos batizados, está o encontro pessoal com Deus. É e precisa ser um encontro transformador, gerador de vida e de santidade. O encontro pessoal com Deus, na sua profundidade e largueza, faz com que a pessoa tenha opções de vida diferentes do comum incutidos pela cultura do descartes (Pp Francisco), da sociedade líquida e do espetáculo (Bauman; Guy Debord), da indiferença e do fechamento em si mesmo.
A frutífera prática litúrgica leva em consideração a participação ativa e consciente do ser humano (Sacrosanctum Concilium, n⁰ 12; 48), ciente de que ele não é o centro ou o elemento fundamental, pois tudo está direcionado ao Pai, pelo Filho na ação contínua do Espírito Santo. Desse modo, “A liturgia se realiza não só por preces (orações, palavras), mas também por meio dos ritos, isto é, movimentos, sinais, gestos, luzes, cheiros, sons, silêncios” (Bucciol, 2025, p.166). Assim, não cabe no mistério celebrado: ativismos, espetáculos teatrais, falatórios, explicações excessivas, raciocínios exacerbados, acréscimos pessoais que levam a uma categoria de “liturgia selvagem” (cf. Desiderio Desideravi, n⁰ 48). – Vale ressaltar que a ação litúrgica é do “Cristo total, cabeça e membros”, conforme descreve o Catecismo da Igreja Católica, parágrafos: 1136-1144.
Diante de tudo isso, seguir o ritmo próprio e singular da liturgia é o caminho para uma boa e positiva celebração e de encontro com Deus. Onde todos serão envolvidos, transformados e poderão também experimentar o constante convite à conversão.
Em suma, “Da Liturgia […] se deriva a graça para nós e com a maior eficácia é obtida aquela santificação dos homens em Cristo e a glorificação de Deus” (Sacrosanctum Concilium, n⁰ 10). Sendo assim, a liturgia é o verdadeiro e pleno lugar do encontro e da vida com Deus!!!
Autor: Pereira, VR.

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