A vida de Paulo foi imitar a Cristo, após sua experiência mística com o Ressuscitado, quando de sua ida à Damasco numa caçada voraz aos cristãos (cf. At 9, 1-22). Os cristãos perseguidos de outrora, agora são consolados pelas palavras iluminadoras do grande Apóstolo dos gentios. Além das palavras transmitidas, percebemos sua coerência de vida. E por isso chama-nos a fazer o mesmo: “Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo” (1Cor 11,1).
Sua imitação não consiste em ações teatrais vazias de sentido e significados. Não fundamentam-se em ideias e teorias ilustrativas, em seu cume abstrato. Todavia, vive como quem tem clareza de sua fé e missão. Por isso reforça dizendo que seu viver é totalmente Cristo. É o Cristo Senhor que, por meio dele e nele, vive e se manifesta. O Senhor Jesus que deixou a primazia de seu exemplo, faz com que o Apóstolo não se intimide diante dos desafios e não evidencie outra Verdade se não Ele mesmo, o enviado do Pai (cf. Balthasar, 2023, p. 28-29).
Quando saímos à rua, manifestamos aos demais a imagem de nossa origem, da nossa família. Isso pode ser aplicado ao contexto da fé. Quando agimos no meio humano-social, transparecemos o tipo e a natureza de Cristianismo que cremos, professamos e buscamos viver. Somos o reflexo da fé assumida. A imitação tanto mais será verdadeira, quanto mais encarnados na vida de Cristo estivermos.
O cristão raiz é aquele que não vive conforme a moda do tempo, mas a partir da Pessoa Cristo que se espelha e torna-se íntimo. Em Antioquia os seguidores do Caminho são chamados cristãos (cf. At 11, 26). A partir do Batismo, a pessoa é nomeada e marcada com o selo indelével da Graça divina como cristã. Ou seja, pertence agora, e partir daquele momento sacramental, a Família ou Membros do Corpo (comunidade) de Cristo Jesus, Cabeça que a tudo governa.
A imagem do Cristo é corrompida, deteriorada, e até mesmo desfigurada, quando nos deixamos submeter ao desnivelamento da corrupção, oriunda do pecado e das propostas múltiplas do mundo contemporâneo que distorce a realidade salvífica de Deus.
Tomás Kempis (2013) nos ajuda a rezar com propósitos de imitar sempre mais a Cristo: “Dai-me, Deus meu, o santo propósito de imitar vosso divino Filho e meu Senhor Jesus Cristo; purificai minha intenção conforme o desejo que me dais, de maneira que todo eu, de dentro e de fora, só a vós olhe, a vós contemple, a vós ame, por vós suspire e em vós descanse” (p. 20).
Assim, como podemos imitar a Cristo? Sendo, acima de tudo, bons e fiéis cristãos. Valendo-se pela prática da caridade, no assumir a cruz de cada dia, no serviço generoso aos irmãos e a Igreja, e pelo exercício espiritual da oração que nos mantém vivos no Amor às experiências sobrenaturais. Toda imitação a Cristo exige um desapego das vaidades do mundo.

Deixe um comentário