autor: Pereira, VR
Começaremos com uma pergunta básica: Estamos diante de duas possibilidades de existir ou é possível as duas num único ser? – acrescento outra questão: o sujeito religioso no seu cotidiano ou o cotidiano no emaranhado religioso?
As questões postas acima faz refletir sobre nossa adesão de crença e seu impacto ou reflexo no nosso dia-a-dia. Falar de religião enquanto se tem uma doxa (opinião) é sempre fácil. Todavia, ater-se aos elementos mais relevantes, históricos, críticos, narrativos e de Tradição é fator mais complexo do que podemos imaginar.
Nem todo religioso sabe de sua religião. Sua adesão parece ser desconhecida ou sem fundamento, pois ignora sua estrutura, sua lógica de funcionamento. Nem todo aquele que tem religião terá, por consequência, ciência de sua engrenagem. Será que determinado indivíduo optou por seguir dada crença por profunda convicção ou por mera formalidade?
Desse modo, percebe-se que a relação religiosa com a vida diária de alguém está limitada a sua ignorância (desconhecimento). Assim, a divindade e a função social possível dessa mesma crença subjuga-se ao crivo limitado da noção também limitada de quem a pretende exercer. Tudo parece girar ao entorno das demarcações do pensamento e da moral fragmentada que possui do universo amplo da religião. Um Deus, uma moral e uma fé conforme as suas medidas.
Se cada um concebe religião ou estruturas de crenças a seu gosto, logo seria mais viável que todos também pudessem ter a sua própria religião ou sistema de crença – “cada um no seu quadrado”. Individualizando esquemas que compraziam apenas ao seu criador, sem expansão de ideias e formas geométricas de práticas fideístas.
Cabe ressaltar que religião causa tanto bem como o mal. É um instrumento utilizado conforme as pretensões do usuário. Também pode ser uma máscara, onde pessoas se escondem e se disfarçam para manipular e tirar proveito pessoal das circunstâncias.
Por fim, é bom refletirmos como estamos vivendo nossa adesão pessoal de fé, de crença. Procurando saber se ela está ajudando ou dificultando a própria condição de vida. Uma coisa é certa: “[…] Deus está acima das práticas religiosas, dos esquemas programados que garantem [,ou dizem garantir,] uma fácil salvação” (Mendonça, 2023, p. 268).

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