Uma das questões a serem profundamente desenvolvida em nosso contexto atual é a relação entre espiritualidade e educação. Ambas possuem campos distintos, porém uma está arraigada ao contexto da outra.
Educar é um processo contínuo de transformação de si mesmo. Busca constante pelo conhecimento, pelas verdades humanas, mas também sobrenaturais. Não existe um saber que seja pontualmente fechado em si mesmo, de um tempo determinado, pois o saber é adquirido, solidificado e transformado ao longo do tempo. Assim, educar é parte integrante de toda a vida. E por meio dela é que se vive uma vida bem examinada e de acordo com as proporções claras da formação da consciência pessoal e que terá suas implicações na coletividade. A educação tem papel de humanizar a pessoa e torná-la plena de humanismo para atingir o absoluto.
Por isso que a educação está em todas as categorias da vida. E em suma, educar para a vida é o ponto modal de todo o processo humanizador e transformador dos sujeitos e das sociedades – é perceber que o Ethos nunca está pronto e acabado…
Com ela, a educação, está vislumbrada a realidade da espiritualidade. O próprio termo já nos leva a entender que existe algo de espírito, vida, animosidade, harmonia no que diz respeito ao contexto da espiritualidade humana. E para usufruir de seus benefícios, requer também ser educado para uma boa espiritualidade – e qual seria uma boa espiritualidade? – temos que refletir mais….
Talvez poderíamos usar um jogo de palavras e chamar de educação espiritual e espiritualidade educacional tal dinamismo teórico e prático. O tema é bem largo e oportuno para reflexão! – Existe uma verdadeira espiritualidade e uma satisfatória educação? Parece-nos ser aquela que nos retira de nós mesmos, nos aponta para o outro e para o Totalmente Outro (Deus); e onde não nos conformamos com o sempre mesmo, mas buscamos nos aperfeiçoar ao longo do caminho. Aqui está a capacidade de autotranscendência. Preenchendo-se de conteúdos relevantes para uma vida boa! Isso tudo para a superação de uma consciência isolada e de uma autoreferencialidade (Laudato Si, nº 208).
Termino dizendo que tanto a educação como a espiritualidade precisam nos provocar diante dos desafios que nos deparamos na sociedade atual. Não só na sociedade como também na própria vida pessoal, de fé, de religião, de convívios e outros. Certamente para mudar o meio, teremos de mudar primeiro a nós mesmos. “[…] e toda mudança tem necessidade de motivações e de um caminho educativo” (Laudato Si, nº 15).
Com isso nos perguntemos: O que a educação fez e faz de nós? E o que fazemos da educação? Nossa espiritualidade nos infantiliza ou nos possibilita dar passos para sermos melhores…?
Por fim, destacamos que a espiritualidade e a educação possuem um poder transformador das consciências para uma vida madura, de maioridade na fé, na vida e nas relações sociais (Kant). Para que a amizade social (Fratelli Tutti), assumida num espírito de fraternidade educada na base de um humanismo integral, fortaleça a dignidade humana e o amor pelo próximo, no desenvolvimento das estruturas sociais…
(Pereira, VR)

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