O que você escreveria a um jovem padre, diante das suas inquietações humanas e religiosas? Como se dirigiria a um sacerdote recém ordenado, após vivenciar diversas experiências pessoais com Deus e com a comunidade de fé, além dos desafios que o mundo oferece para um cristão convicto? Você teria interesse em dialogar e refletir sobre a vida, ministério, passado, presente e futuro com um jovem? Qual ou quais preocupações você tem em relação ao exercício do ministério de um padre jovem e também dos mais velhos? – Já fez algum apontamento sobre isso e um pouco mais?
Diante de tantas questões levantadas e outras possíveis, um dos elementos que podemos destacar é se ainda, em pleno século XXI, as pessoas veem o sacerdote num nível de sacralidade por meio de sua consagração a Cristo e a sua Igreja, e pela vida doada em prol da salvação das pessoas. O cuidado parte de si mesmo, porém os demais também poderão favorecer sua evolução por meio do acolhimento, da fraternidade, do compadecer-se daquele que também é humano, mesmo sendo divinamente instituído por Deus na terra, por via do sacramento da ordem. Por isso que o Cardeal Arinze, falando a um jovem sacerdote, destaca que ele é configurado “com Cristo de maneira permanente” (2009, p. 17). Não é algo temporário, mas ininterrupto, estável, perpétuo, não tem fim, mesmo que transpareça a partir de uma origem ou começo a partir da graça sacramental. A Cristo não se substitui, apenas torna-se, por graça, um outro “Cristo”, apesar de suas imperfeições e limitações humanas. Para além delas, cada um precisa perceber no sacerdote o Cristo Total.
Se és um outro Cristo, logo lhe é exigido viver e ser como tal. Isso no assumir a própria vocação e missão, que não estão em vista de si mesmo, mas das outras pessoas. E estas são as que o ajudarão, de alguma maneira, crescer e se fortalecer no ministério.
Como dica, reforço o valor dos quatro amores do sacerdote, e que toda pessoa é levada a ajudá-lo a cultivar: “o amor a Jesus, às Sagradas Escrituras, À Igreja e à Virgem Maria” (ARINZE, 2009, p. 21). São quatro realidades que se unificam na expressão deum coração indiviso. Sabendo que, ‘aquele que vós chamou sempre será fiel'(cf. 1 Ts 5, 24).
(PEREIRA, VR)

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