O dicionário Aurélio é simples ao retraduzir o significado do termo metamorfose. Segundo sua descrição, esse termo implica transformação (2001, p. 459). Talvez seja mais interessante falarmos de mutação de si mesmo em outro ser. Seja da estrutura física, biológica e mental, se a podemos incluir.
Aqui faço menção a belíssima obra (novela) de Franz Kafka, em que uma pessoa, ao acordar, se percebe transformada em um corpo animal. Distintamente dos seus semelhantes, agora terá de lidar com a sua estrutura pessoal e com o preconceito das demais pessoas de sua própria família. Uma questão é levantada: será que estamos prontos para nos transformarmos? – até que ponto estamos sujeitos a mudanças e aceitação de criticas por parte de pessoas do nosso próprio convívio e de outros que não temos algum vínculo?…
Metamorfose também nos mostra a mudança da rotina, dos hábitos, das relações, da valorização do que é mais importante, da dependência nas interações familiares, e o medo do diferente. Havia, no fundo, uma esperança de que Gregor Samsa voltasse a ser o mesmo. Contudo, o final é trágico, por que ele se desfalece permanecendo diferente de todos. Interessante que no início, pela novidade e estranhamento do novo, faz com que o cuidado seja grande em relação aquele que está debilitado em suas condições físicas. Todavia, com o passar do tempo, o diferente e inusitado é deixado de lado. Assim, a novidade deixa de ser importante e passa a trazer, até mesmo, repugnância. Fato enaltecido na obra de Kafka.
Mesmo que não seja possível apresentar todas as possíveis reflexões de A Metamorfose, termino dizendo que ela nos faz pensar sobre o olhar que temos sobre nós mesmos e o modo como somos percebidos. A percepção de si e do outro, e a partir do outro, é o que mais causa conflitos…
A literatura, em seu universo absoluto, é espelho que reflete a vida real do ser humano em suas diversas condições!

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