“Vocação acertada, vida feliz!” (Dom João Bosco)
O discernimento é a virtude fundamental para todo ser humano, dotado de múltiplas singularidades humanas e espirituais. Não é só uma categoria humana, mas requer da pessoa abertura ao Espírito Santo de Deus que o ajudará nesse processo de discernir caminhos. A vida é isso, um percurso que se faz na realização de si mesmo e de sua missão assumida ante a própria vocação.
Vocação, como é sabido, é sempre um chamado. Que implica a decisão pessoal do sujeito, bem como sua adesão do coração-consciência. Ou seja, é na liberdade que se corresponde ao chamado divino a determinada realidade que significa sua existência. Talvez fosse preciso dizer ainda que a falta de sentido implique, em certa medida, ao esvaziamento, por primeiro, do significado vocacional. Ante isso, a toda vocação está atrelada uma missão. Com isso, a pessoa que discerne sua vida à luz da fé e das ciências humanas, não se concretizará por si mesmo ou para si mesmo, mas em vista de um objetivo maior. Na escala sacramental, por exemplo, a vocação sacerdotal e matrimonial estão no nível do serviço – os demais no âmbito da iniciação e da cura.
Isto pode ser percebido quando, biblicamente, analisamos a vocação daqueles que foram chamados por Deus ou por Jesus, levando a entender que cada um tem, por consequência, uma missão. A título de exemplo citamos: Abraão, Moisés, Josué, Isaías, Samuel, Jeremias, Ester, Judite, Debora, bem como Mateus, Pedro, Paulo e dentre outros. Cada um tem papel importante na construção da história humana e divina. É, de fato, um corpo universal que se constitui de pequenas células ou organismos de fundamental importância.
Assim, falar de vocação é mais que afunilar meramente a vida sacerdotal e religiosa, mas é refletir e debater sobre as diversas vocações que formam o “corpo evangelizador” e civilizatório. Deus nos faz santos e felizes a partir de nossa escolha vocacional. E será por meio dela que se atingirá a vocação universal a que somos chamados, que é a santidade. Numa condição particular de vida chega-se aquela que é universal, a santidade. É possível ser santo no mundo atual? Sim. Desde que se comprometa a esta experiência que nos exige uma postura diferenciada. Sabendo-se que “a santidade é o rosto mais belo da Igreja” (Gaudete et Exsultate, nº 9).
Para construirmos e termos bons frutos, a Igreja nos motiva a prática de uma “cultura vocacional”. Neste ano de 2023, dedica-se ao tema da vocação enquanto graça e missão, inspirados na experiência dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 32-33), que nos faz repensar a condição dos nossos corações que precisam estar ardentes e com os pés sempre à caminho. E o mês de agosto é mais que favorável para intensificarmos nossas orações e realçarmos reflexões e exercícios sobre as vocações.
O modelo maior, para toda vocação, é Jesus Cristo. Ele é o imperativo da semeadura. Por isso que o Documento de Aparecida (2012) diz que o Cristo é o revelador do “amor misericordioso do Pai e a vocação, dignidade e destino da pessoa humana” (nº 9). Ao mesmo tempo que descortina Quem é Deus, faz vislumbrar a grandeza do ser humano na relação consigo mesmo e com o Criador de todas as coisas, cujo sentido de existir tem seus fundamentos.
Por fim, “a arte de discernir” (FRANCISCO, 2019, p. 60-65) implica uma consciência bem formada, audaz nas suas escolhas. O discernimento está atrelado ao vínculo afetivo e espiritual que se tem com Jesus de Nazaré, da intimidade que se tem com Ele e das decisões tomadas a partir d’Ele. A arte do discernimento leva em consideração um começo e um fim: na vida pessoal, comunitário-social, religiosa e institucional. Para discernir bem a vocação requer: 1) Oração, 2) Escuta interior, 3) Orientação (direção), 4) Decisão. Desse modo, é viver aquilo que nos diz o Apóstolo: “Examinai tudo e guardai o que é bom” (1 Ts 5, 21).
Imagem: Logo do ano vocacional 2023.

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