“Tremi ao pensar no que o futuro me reservava” (Imaculée Ilibagiza)
Somos formados por buscas intensas e incessantes. Continuamente estamos a procura de algo ou de alguém para nos tornar reais de nossos sonhos e projetos! – a vida de solidão as vezes é possível de ser percebida como um contato com nós mesmos. Nada esta tão distante que não possa ser experimentado com maior prazer.
Seja por meio da tranquilidade, pela paz profunda de espírito, ou pelo incomodo de uma guerra interior e externa, também, somos sujeitos da esperança. Comunicadores da esperança! Não há sentido maior que estas palavras, pois os fatos nos tocam e nos fazem desejar sempre mais. Superar as próprias limitações, possuir o que não se tem, conquistar, numa inveja singular, o que o outro também usufrui. De todos os níveis, convivemos com pessoas de esperança. Uns com mais, outros com menos intensidade. Porém todos estão numa mesma ceara. No vasto campo da existência, a busca permanente de realização e de satisfações faz com que sejamos sujeitos passivos ou ativos, interessados, provocados ou lentos para certos aspetos da vida. No particular ou no comunitário-social, estamos envolvidos pela forte tensão entre o desistir e o continuar, entre o estagnar-se ou evoluir. – A Esperança sempre tem um conteúdo motivador, requer que cada um (re) descubra o seu no mais profundo do seu ser! Aí está escondida a potência de toda as ações.
A esperança nos leva a esperar em algo ou em alguém, que poderá nos fazer melhores ou piores naquilo que temos o firme proposito de atingir. Comumente se divide em duas vertentes: esperança ativa e a passiva. A primeira é posta como a que está desperta, alerta aos fatos, às pessoas, aos acontecimentos, não perde oportunidades, engaja-se, na medida do possível e de duas condições, nos eventos ou fenômenos da vida para fortificar-se cada vez mais; segue o curso da história construindo junto. Agrega outros a si, bem como se percebe necessitada de ir além na humildade. Por outro lado, há a esperança passiva. Esta apresenta-se como indiferente, preguiçosa, quase sempre dependente de outrem ao invés de dar o primeiro passo; vive constantemente na procrastinação, deixa para o amanhã aquilo que se poderia edificar no hoje. Assim, a desesperança é um sinal forte de quem não consegue olhar para o horizonte e perceber os luminares extraordinários da vida.
Aquele que está envolvido pela ativa esperança é inquieto, assim como Agostinho, inquieto estava à procura do Criador, repousando seu ser n’Aquele que criou e sustenta todas as coisas, assim também somos nós. Na inquietude do ser está o encontro com o repouso, a serenidade, a paz, o afago das delícias incomuns! Como nos atenta o filósofo iluminista, Immanuel Kant, a razão humana é levada aos mais profundos questionamentos, que podemos aplicar ao viés da esperança: ‘O que posso saber? O que devo fazer? O que posso esperar?‘. – O conhecer possibilita-nos realizar da melhor forma possível o que tanto esperamos, porém é preciso estarmos atentos ao que se espera esperançosamente: uma vida comum, minimalistas, circunscrita somente nos liames dos sistemas humanos, ou deixar-se provocar pelas questões de ordens superiores (metafísicas) e adentrar-se nos mistérios de uma nova experiência…
Com isso podemos ainda vislumbrar que a esperança é um instrumental vital para o exercício da própria liberdade – “A liberdade permanece sempre liberdade” (BENTO XVI, 2008, p. 36), é fato. É o motor do homem livre! Se se sois livres, então estais fortificados na e pela esperança. Todos a possuem, o que distingue em cada um é a sua vivência. Tem quem a presa para o bem, outros para o mal.; uns para a vida feliz e para fazer o outro também feliz, outros a usa para torna a vida alheia um ‘inferno’ – realçando, assim, que ‘o inferno são os outros‘ (J. Sartre)…
Se há esperança no futuro, logo o presente terá características de um esperançar! E tudo será feito no momento atual para que o dia seguinte seja plenificação desta espera da consumação do desejado ou esperado – “[…] o futuro é certo como realidade positiva, é que se torna visível também no presente” (Ibid., p. 5). Desse modo, o que almejo num tempo distante, já o posso experimentar, de antessala, no agora. Como exemplo, se se pretende ser doutor, não se espera chegar à faculdade, requer, no momento presente, fazer opções de vida que favoreçam um bom resultado ao final da busca. Quem pretende o troféu da corrida, não pode deixar para exercitar-se no dia somente, mas deve anteceder a conquista com preparações contínuas, já saboreando-a no desenrolar do processo. E será assim que os meios e métodos também serão construídos e melhorados. – Somos movidos pelo “Princípio Esperança” em todas as categorias e condições da existência: arte, religião, pensamento, civilização, vida eterna, humanismo e dentre outras esferas.
Sem a esperança, o mundo, a sociedade, a família e os grupos sociais estariam vivendo uma profunda depressão! Nem mesmo conseguiríamos evoluir humana e tecnologicamente. A esperança de transformação do mundo e da cultura (da realidade histórica) nos diferencia de todos os outros animais. Estes vivem pela própria natureza, já o ser humano, movido pela esperança racional e fideísta (fé), ultrapassa o meramente humano, na conquista da transcendência. Paradoxalmente seres superiores, mesmo na condição de seres humanos. Desse modo, “a esperança é a ‘âncora da alma’” (cf. CIgC, par.1820. Hb 5, 5), ou seja, a firmeza da Alma é a Esperança forte!
Imagem: “Esperança II” de Gustav Klimt (1908).

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