O poema/poesia expressa os mais profundos sentimentos da pessoa humana. Toda forma de expressão tem sua razão de ser na magnitude das palavras de cujo valor cada leitor é convidado a examinar e fazer sua interpretação. Sentir-se tocado por estas mesmas palavras ou não depende de seu estado de espírito, talvez com o mesmo com que o autor redigiu o belo poema que se segue: Distância.
“Abandonou-me numa noite escura, sem segurança e sem proteção.
Senti-me distante dos vossos braços fortes que me acalentam e me asseguram dos desencantos da negritude da condição do ser só…
Meu prazer é ter-vos próximo como minha própria alma, da qual não existirei e nem viverei.
Sua existência, seu cheiro, seu olhar, seu toque, seu corpo, seu respirar me faz sentir quem sou. Sou para si, sou pra ti…
A distância entre nós me faz enlouquecer e perder a última razão,
Pois sem estar conduzido pelas vossas mãos, posso perder-me nas estradas tortuosas da vida…
Seja meu companheiro de viagem, para que meu fim seja feliz!
Onde está, por que procuro e não encontro? O que fazes de melhor, para esquecer-me e não perceber-me?
Toda minha existência tem seu sentido quando é sentida por ti e contigo!
Gozar a vida no gozo da sua presença. Um deleite sem fim és tú….
Responda-me, retorna-me como fonte aos mares dos muitos prazeres,
Afaga-me e afoga-me nos seu ser para que eu seja: sou em ti, tu és em mim.
Quanto mais a distância aumenta, mais me desfaleço de saudades…
A cada instante de seu silêncio passo a inexistir, perco o brilho, foge-me o gosto de ser o que sou para ser contigo um único amor!
O amor amou-me e abandonou-me,
Agora distante de ti e ao mesmo tempo distante de mim,
Perdido no tempo, pois o encontrar-vos é renascer-me dentro de ti!
Que sou para ti como tu és para mim: uma distância sem fim!”
Pintura: “A mulher lendo uma Carta” de Jan Vermeer (1663/65).

Deixe um comentário